Blog - Espaço da Ética

Nestes últimos anos como professor da disciplina de ética para diversos cursos universitários, bem como por conta do manejo diário com a temática do “fazer justiça”, tenho notado que as pessoas ficam indignadas com a falta de ética nas condutas sociais mas, em que pese o legítimo sentimento de revolta, pouco se faz para o enfrentamento desta questão.

Daí a vontade de sair da inércia e dar um primeiro passo com a criação deste espaço, o “espaço da ética”, não de cunho acadêmico, mas sem esquecer o papel da educação como principal meio de luta. Assim, a missão aqui é a de ser um espaço motivador, agregador e desafiador em favor da ética, que também serve à defesa da moralidade e da justiça.

Mestres da nossa vida.

04 de outubro de 2009

Este é um tema do qual pensei que, pelo menos tão cedo, não escreveria: mestres das nossas vidas. Mas a vida prega as suas peças e cá estou, muito honrado pelo convite feito por uma editora, a pensar sobre um mestre da minha vida.

Claro que no começo mil pessoas passam pela sua cabeça, desde os mestres espirituais, passando pelos pais, um tio que sempre filosofou comigo e pelos professores que tive. E olha que não foram poucos, pois além do ensino infantil, fundamental e médio, foram dois cursos de graduação e mais dois cursos de especialização e um MBA.

Para dificultar, existem ainda aqueles mestres que, mesmo sem saberem da sua existência, ou ao menos ter tido algum tipo de contato físico, você acaba “bebendo de suas fontes”, e assim é e sempre será a minha relação com Aristóteles, Machado de Assis e Rubem Alves, entre outros.

Também há aqueles mestres que, mesmo não estando dentro de uma sala de aula, contribuem, e muito, para a sua vida: são aqueles profissionais com quem você tem a grande felicidade de aprender na prática, começando pelo primeiro emprego (no meu caso, foi caixa de banco), passando pelo período de estágio e assim por diante.

De tantos mestres, tenho certeza de que a vida não é feita de um mestre só.

No meu caso, talvez o mais natural em termos profissionais fosse a escolha de um professor da área jurídica, um que talvez me fascinasse por toda a sua experiência e sabedoria, como Diógenes Gasparini ou um que me encantasse com sua jovialidade e inteligência, como Oreste de Souza Laspro. Ou, quem sabe, um que mesclasse toda a experiência com a sua sempre jovialidade, como a professora Maria Garcia.

Mas eis que, mesmo reverenciando e sendo eternamente grato pela diferença que todos os citados e os não citados fizeram na minha vida, parei e pensei com o coração, este coração que pulsa dentro da gente e bombeia o sangue que nos dá vida.

Sim, em um momento de profunda reflexão perguntei a mim mesmo: quem foi o mestre que me deu a vida, pelo menos em termos da minha formação pessoal e profissional?

E eis que surgiu um nome, o de Wilson D’Angelo Braz, mas que para seus alunos e para mim será eternamente o Professor Wilson. Sim, um mestre que me deixou marcas profundas e contribuiu de maneira decisiva para a minha vida pessoal e profissional.

O professor Wilson foi o meu professor de português no colegial, hoje ensino médio, dos meus tempos de estudante no Colégio Visconde de Porto Seguro.

As aulas do professor Wilson não só me fascinavam pelo ensino do vernáculo culto ou da literatura mágica, mas também pelas inúmeras lições de vida que compartilhava no transcorrer das aulas. Não sei se pela sua formação de seminarista ou seu profundo conhecimento da língua culta, o fato é que eu como criança/adolescente tinha interesse em aprender, interesse em escutá-lo, como se ele me desse em sala de aula a minha “caixa de brinquedos” de que tanto fala o educador Rubem Alves.

Para mim, era uma alegria constatar no diário que no dia haveria aula do professor Wilson, não via a hora de ele chegar na sala de aula e dizer o sonoro “Turma”… enfim sabia que não passaria um dia em branco e que, neste dia, dormiria mais sabido de que o dia anterior.

Talvez a grande diferença foi que o professor Wilson não só impunha respeito pelo seu conhecimento, como também por tratar os seus alunos do mesmo nível e, nos levando a sério, deixava a conversa fluir, muitas vezes como verdadeiras prosas.

Por incrível que pareça, da minha época de colégio guardo apenas um livro, justamente o “Manual de Português” da Livraria Salesiana Ltda., de co-autoria do Professor Wilson.

Não é sem razão que, das minhas lembranças de adolescência, lembro-me de uma viagem que fiz com o meu pai, do colégio até Valinhos-SP e que, após ele me apanhar no colégio, fui a viagem inteira comentando a aula do Professor Wilson.

Há também curiosidades, como a lembrança de ter estreitado minha amizade com um rapaz de nome Roberto, que estudava em outra sala, por ter sido um dos poucos alunos a conseguir uma nota 10,0 na prova de redação do professor Wilson.

Certamente foi graças ao professor Wilson e incentivo da minha mãe que peguei essa minha paixão pelos livros. Como também, não tenho a menor dúvida, de que o Professor Wilson foi um dos que mais me influenciaram na escolha da minha profissão de advogado, profissão esta que enfrentaria e enfrento com as duas grandes armas a mim confiadas pelo Professor Wilson: o caráter e o uso da nossa língua, tanto a falada como a escrita.

Concordo totalmente com Pablo Picasso quando ele diz que “há pessoas que transformam o sol em uma pequena mancha amarela, porém há as que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol”.

O Professor Wilson foi uma delas, que soube irradiar as luzes deste sol sobre a vida de muitas pessoas, dentre estas a minha.

4 Comentários em “Mestres da nossa vida.”

  1. Angelo Santos. comentou...

    Envio meus sinceros parabens, a toda equipe pelo novo frmaato do ” LIVRE ARBITRIO “.
    APROVADÍSSIMO.

    30/10/2009 1:08 pm

  2. Ricardo Santos dAvila comentou...

    Sr., Boa tarde.
    Alegria em ouvir (ou melhor, ler) algo sobre o Prof. Wilson. Para minha turma o temido PB (devido aos enfáticos e sonoros P´s e B´s pronunciados), no final dos anos 70 no CVPS do Morumbi e com seus motes: “Rapáz”; “Você pensa que berimbau é gaita”; “Não tem não há. Ter no sentido de existir é haver, Rapáz”.
    Cordiais Saudações ,Ricardo

    19/11/2009 2:29 pm

  3. Luiz Carlos Bossato comentou...

    Puxa! Que alegria ter lido depoimentos tão lindos a respeito do Prof. Wilson.
    Lembro-me dele com muito carinho e também de suas aulas no Colégio Nossa Senhora Consolata no Imirim – S.Paulo.
    Jamais me esquecerei de suas lições de portugês e, principalmente, de seus conselhos.
    A mim ele me valeu como professor e como mestre!
    Luiz Carlos Bossato

    24/02/2010 6:38 pm

  4. Luiz Carlos Bossato comentou...

    Inesquecíveis mestres no Colégio Consolata – Imirim – São Paulo:
    Luiz Carlos da Costa Gregoris e Joana Borrelli (Da. Jane) – mestres que marcaram minha vida profissional e minha formação como pessoa. Professor Luiz Carlos, com suas aulas de matemática e História – (como gostava de falar sobre a Revolução francesa!); professora Jane, séria, linda e severa – nos ensinou com seu método magistral a lígua francesa.
    Vocês também fazem parte dos mestres de minha vida!!!

    01/06/2010 12:29 pm

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